quarta-feira, 20 de março de 2019
KARATÊ-DO:
a eficiente luta das mãos vazias
Neste estudo, empreenderemos por uma viagem ao passado da humanidade.
A aventura já começou. Os caminhos a percorrer passarão pelas trilhas das artes
marciais, especificamente do karatê-Do ou simplesmente karatê.
Muitos dos viajantes que já entraram nessa aventura conhecem um
pouquinho, por mínimo que seja desta arte marcial. Outros até já ouviram falar no
mestre Gichin Funakoshi e de sua famosa expressão – Karatê Ni Sente Nashi –.
Então, dirão prontamente que significa: “conter, controlar o espírito de agressão”.
Está na hora da nossa primeira parada. Deve haver um ‘bombardeio’ de
questões fervilhando na sua mente! Você poderá estar se perguntando: O que isso
tem a ver com karatê-Do? Ora, com adversário inferior não se briga; com superior,
menos ainda; quando os dois tiverem iguais condições não há luta. Pelo jeito nunca
há briga! Nunca haverá luta? Mas afinal, o karatê-Do não é uma prática de luta que
ensina a brigar? Ou será que ensinar a lutar não é ensinar a brigar? Qual é a
diferença entre lutar e brigar? Se o karatê-Do não ensina a lutar, nem a brigar, para
que serve? Você acha que as lutas geram violência?
Estas e muitas outras questões serão aqui debatidas. Então, agora, o próximo
passo é investigar, analisar alguns pontos de vista a respeito do karatê-Do, uma arte
marcial bastante conhecida dos brasileiros, para compreender seu significado,
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Imagem 1 Ideogramas
entender parte de sua história, de seus princípios, propósitos e objetivos, e, por fim,
aprender algumas especificidades de suas técnicas. Vamos em frente?
PRATICAR O KARATÊ-DO PARA QUE?
Engana-se quem pensou que abrindo a porta do templo do Karatê,
encontraria uma arca depositária do saber, que, ao ser tocada, abrir-se-ia como se
fosse um passe de mágica e revelaria todas as
respostas procuradas. Algumas interrogações poderão
ser desvendadas. Mas, o certo é que outras tantas
surgirão porque quanto mais se sabe, mais se quer
saber.
Então, comece a ler e a refletir sobre o texto
abaixo, na busca de saber sobre a prática do karatê-Do:
para que e por que aprender uma arte marcial.
Para os leigos, a resposta mais comum a estas
questões é a necessidade de autodefesa do indivíduo
que, sobretudo, vive em um mundo extremamente
violento. Mas, será que esta resposta parece ser de
todo verdadeira? É bem verdade que as diferentes formas de autodefesa,
provavelmente, são tão antigas quanto à história da própria humanidade, pois, em
escritos dos séculos V e VI a.C, encontrados na Ásia, há vestígios rudimentares de
práticas de autodefesa usadas pelos povos da Antiguidade, que tinham por
finalidade desenvolver formas diferenciadas para proteção de certos povos e de
seus respectivos grupos familiares.
Com o tempo, muitas dessas práticas comuns foram modificadas e originaram
o que se conhece atualmente como artes marciais.
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VOCABULÁRIO
Leigo: mesmo que laico;
que(m) não é perito em
determinado assunto,
profissão (HOUAISS, 2008).
Autodefesa: defesa de si
mesmo (HOUAISS, 2008).
Arte Marcial: decorre de
“Marte”, deus da guerra
para os gregos; na tradução
ocidental está relacionada
às técnicas de defesa
pessoal, associada ou não
com a preparação militar
(LUBES, 1994).
Luta: combate esportivo em
que dois adversários se
enfrentam corpo a corpo
(HOUAISS, 2008).
Na atualidade, o conjunto das artes marciais é constituído por uma variedade
de práticas, originárias tanto do oriente como do ocidente, que evoluíram e se
aprimoraram, através de variadas técnicas de lutas, transformando-se inclusive em
diferentes esportes. Alguns desses adquiriram caráter olímpico, outros, não. Por
exemplo, o judô que veio do oriente, especificamente do Japão, e a luta grecoromana, denominada luta de garra, praticada pelos povos ocidentais da Idade
Média, são esportes olímpicos. Já, a capoeira angola, luta de origem negra,
inventada pelos escravos brasileiros, não é um esporte olímpico; é antes de tudo um
patrimônio cultural brasileiro, reconhecida pelo Instituto do Patrimônio Histórico e
Artístico Nacional (IPHAN) e na legislação do sistema educacional brasileiro, que
tornou obrigatório nos currículos escolares dos estabelecimentos de ensino
fundamental e médio, oficiais e particulares, a inclusão do ensino de História e
Cultura Afro-brasileira. E, neste sentido, dificilmente a capoeira será praticada como
esporte olímpico.
Aprender uma arte marcial motivada pela necessidade de autodefesa, tal
como concebida pelos povos da antiguidade, não parece ser um bom motivo, pois
as necessidades daqueles não eram semelhantes as do ser humano no século XXI.
Ou, será que ainda são?
Ora, mas se somente como objetivo da autodefesa não justifica o aprendizado
de uma arte marcial, então, é a prática esportiva seu maior incentivo? Quer dizer,
então, que qualquer um que se dedicar à prática de uma arte marcial é um esportista
ou um futuro medalhista? Mas, há quem diga que o mestre Funakoshi deu um
caráter doutrinário à arte do karatê que deveria servir mais do que como mera forma
de luta, para o – desenvolvimento da personalidade do homem – (LUBES, 1994).
Será mesmo?
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VAMOS AMPLIAR CONHECIMENTOS?
O método sugerido é um levantamento de informações. Ou seja, procure em livros, jornais,
revistas, Internet, etc. diferentes tipos de artes marciais. Anote o que encontrar e julgar
interessante. Se possível recorte textos e gravuras. Reúna todo o material e traga para compor a
primeira parte de nosso mural interativo – ARTES MARCIAIS –.
O nosso objetivo é conhecer um pouco sobre artes marciais e reconhecer que o karatê-Do é
apenas uma dessas artes praticadas no Brasil.
Ainda, há outras questões: se a prática de artes marciais serve apenas para
autodefesa ou para habilitar campeões olímpicos, então, aprender e praticar
qualquer uma delas requer que o aprendiz esteja dentro de certa faixa etária e em
um ambiente específico, próprio à aprendizagem de uma determinada luta? Na
realidade, o que se observa é que entre crianças e jovens há maior popularidade,
mas adultos e seniores também praticam luta de garra, capoeira, kung fu, judô, jiu
jitsu, karatê e tantas outras artes marciais. Para quê? Com que finalidade?
Ah! Lembre-se também que em nosso mural interativo – ARTES MARCIAIS –
as curiosidades sobre o karatê-Do têm um espaço reservado. Então, colete, traga
para nossa sala de aula e cole tudo o que encontrar a respeito do assunto.
CONHECENDO UM POUCO DA HISTÓRIA DO KARATÊ
Muitos estudiosos de artes marciais, defendem que o princípio da
marcialidade se fez na Índia, depois na China, e, finalmente, chegou ao Japão, na
Ilha de Okinawa, antes do século XV. Nesta ilha o karatê foi
gerado e aos poucos passou a ser conhecido em nível global
(TORRES e BUENO, 1999).
Okinawa, a maior ilha da cadeia Ryu-Kyu, situada a
leste da China e ao sul do Japão, palco de diversas guerras
civis e tribais, foi centro de inúmeras rotas comerciais
destinadas à permuta de ricos e exóticos carregamentos
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VAMOS AMPLIAR CONHECIMENTOS?
A primeira parte do nosso mural interativo – ARTES MARCIAIS – precisa ser aprimorada.
Então, a tarefa agora é usar novamente o levantamento de informações para descobrir sobre a
origem das artes marciais.
Combine com seus colegas e pesquise sobre a origem de uma das artes marciais que
aparecem no mural. Mas, se descobrir outra ainda não abordada, ótimo! Traga-a para a nossa
sala de aula.
Porém, não esqueça que nosso principal objetivo é conhecer e aprofundar conhecimento
sobre o karatê-Do. Então, selecione também algumas curiosidades sobre esta arte marcial que
podem ser encontradas no site .
.
Imagem 2: Mapa da região de
Okinawa.
originados de diversos pontos do Oriente. Tudo isso a transformou em ponto de
encontro de diversos povos com diferentes culturas.
Na metade do século XV, com o objetivo de evitar as revoltas populares e dar
fim ao longo período de guerras, o governo de Okinawa baixou um decreto-lei que
proibia o uso de armas e, em decorrência, incentivou o treinamento das artes
marciais asiáticas. Mas, esse decreto não impediu que adversários armados
invadissem a ilha. Diante da exposta fragilidade, seus habitantes desenvolveram
técnicas de lutas objetivas e eficientes com o uso de golpes de mãos e pés.
Nasceram, assim, as artes do Te (traduzido do japonês, em Língua Portuguesa, significa
mão). Essas artes afloraram como método de luta.
Por volta dos anos de 1600, o
povo de Okinawa, pelo fato de treinar
sozinho e às escondidas, desenvolveu
as formas de lutas denominadas katas.
Os katas daquela época, já
apresentavam características das
aldeias de Naha (província de Okinawa), Shuri (cidade da região sul de Okinawa) e
Tomari (cidade portuária de Okinawa). Todos esses katas serviram para dar início à
futura luta que hoje é conhecida como karatê.
Na cidade comercial de Naha surgiu o Naha-Te (traduzido significa mão do norte
ou estilo do norte), cujo sistema de luta enfatizava a força. Seus principais mestres
foram Seisho Arakaki (1840-1920) e Kanryo Higashionna (1853-1916) que teve entre
seus alunos o famoso Chojun Myagi (1888-1953).
Seisho Arakaki Kanryo Higashionna Chojun Miyagi
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